Policy Note n. 3 – O governo Lula é refém do mercado?

André Luís Doneux Ferreira
David Deccache
Fabiano Abranches Silva Dalto

Resumo:

A nota questiona a ideia de que o governo Lula seja refém do mercado financeiro e dependa dos investidores para financiar suas atividades. A partir da análise das recompras de R$ 31,6 bilhões em títulos públicos realizadas pelo Tesouro Nacional em outubro de 2026, o texto demonstra como o próprio Estado atuou para socorrer investidores, garantir liquidez ao mercado e conter a disparada dos juros da dívida pública. Explica que, por emitir a própria moeda, o Estado possui instrumentos para administrar a liquidez, influenciar as taxas de juros e atuar sobre o mercado financeiro, não estando sujeito às mesmas limitações de uma família endividada. Ela também destaca o papel do Banco Central na definição dos juros, os impactos da política monetária sobre a inflação, o investimento e a distribuição de renda, e defende que os limites do gasto público estão na disponibilidade de recursos reais e em seus efeitos sobre os preços, e não na falta de dinheiro. Por fim, argumenta que a influência do capital financeiro sobre as decisões econômicas depende de escolhas políticas e institucionais, e não de uma suposta incapacidade financeira do Estado.

Palavras-chave:

Governo Lula; Mercado Financeiro; Dívida Pública; Tesouro Nacional; Juros Da Dívida Pública; Política Econômica; Política Monetária; Banco Central; Taxa Selic; Títulos Públicos; Capital Financeiro; Investidores; Gastos Públicos; Finanças Funcionais; Economia Brasileira; Emissão De Moeda; Soberania Monetária; Controle Da Inflação; Distribuição De Renda; Investimento Público; Austeridade Fiscal; Mercado De Capitais; Estado Brasileiro; Política Fiscal; Recursos Reais